Realidade Virtual e Empatia

O desenvolvimento do pensamento crítico e da empatia nas equipes multiprofissionais de saúde que lidam com usuários em sofrimento físico e psicológico, pode ser afirmado como uma premissa. A realidade é que existe verdadeiramente um cenário complexo no processo de aprendizagem destes profissionais, pois cada vez mais são escassas as oportunidades de educação experiencial, além de uma insatisfação com os modelos tradicionais de ensino numa geração de alunos e profissionais que vivem uma nova forma de se comunicar, ter acesso a informações e com uso intensivo de tecnologia.

Como ferramenta alternativa tem sido testadas algumas ferramentas envolvendo a Realidade Virtual neste processo de aprendizagem, respeitando as características desta geração de alunos como também profissionais atuantes. A criação de ambientes simulados de alta fidelidade que gerem uma sensação de presença, permitindo ao aluno mergulhar na experiência de outra pessoa, em especial pacientes e familiares, pode vir a complementar a educação experiencial, oportunizando uma maior consistência na oferta de comportamento empático, uma essência do cuidado centrado e com geração de valor.

Vários modelos construtivistas desafiam os modelos clássicos de treinamento de profissionais de saúde. O modelo tradicional de disciplinas estanques e unidirecionais, com o professor demonstrando seu saber aos alunos, e estes, insatisfeitos com a forma e com o conteúdo, certamente colocam em risco a assistência aos pacientes. Modelos como Design Thinking e Sala Invertida contribuem muito com uma participação efetiva do aluno na construção e consistência do saber, na geração de inovação e compromisso ético com os pacientes.

Mas a lacuna de desenvolver a experiência no ambiente da vida real dentro de hospitais por exemplo, continua a ser um desafio a ser vencido. A Realidade Virtual coloca uma possibilidade de simulação de fatos reais, sendo repetidos quantas vezes o aluno ou profissional necessitar ou quiser, desenvolvendo suas capacidades cognitivas de análise crítica e empatia. Já existem alguns resultados animadores publicados, mas limitações a superar.

Há uma grande oportunidade de desenvolvimento de pesquisas acadêmicas longitudinais, randomizadas, com muitas variáveis categóricas ou demográficas, que demonstrem padrões diferenciados de correlações, que venham a propiciar novos modelos de inovação, incrementais e disruptivos, que possam mitigar os riscos elevados, incertos e complexos dentro dos sistemas de saúde.

O paciente agradece.

 

Dr Claudio Nunes

Consultor Médico da JME Informática

 

 

REFERÊNCIA
Appel, L., Peisachovich, E., Sinclair, D. (2021). CVRriculum Program: Outcomes from an Exploratory Pilot Program Incorporating Virtual Reality Technology into Existing Curricula and Evaluating Its Impact on Empathy-Building and Experiential Education Opportunities. Canadian Journal of Nursing Informatics, 16(1). https://cjni.net/journal/?p=8571